Minha prática artística se desenvolve a partir das relações entre imagem, linguagem, corpo e espaço. Atuando entre Brasil e Itália, trabalho com fotografia, vídeo, performance, instalação, som, escultura, texto e protocolos de exibição para investigar representação, autorrepresentação, corpos dissidentes, normatividade, memória, descarte, sistemas de valor e política do olhar.

 

Não compreendo a obra como objeto isolado, mas como campo de relações. Documentação, mediação, circulação, presença pública, disposição espacial e suporte técnico não são elementos secundários ao trabalho; são parte de sua estrutura e de seu sentido. Em diferentes meios e formatos, construo situações em que imagem, linguagem, matéria, espaço e participação do público entram em relação.

 

Como mulher cis intersexo, trabalho questões de soberania narrativa, legibilidade, regulação, classificação, apagamento e retorno à visibilidade no interior de estruturas sociais, ambientais e institucionais. Interesso-me pelas fricções entre narrativa pessoal e regimes coletivos de linguagem e poder, assim como pelas relações instáveis entre corpo, cidade, ecologia, imaginação política e condições materiais da existência.

 

Em trabalhos como Minha História Deixa Que Eu Conto, Nas Feridas Que Eu Alcanço, If You Need Art to Act, Pequenos Grandes Traumas, Projeto Neon e Insistir em Existir, procuro construir situações em que linguagem, corpo, matéria, espaço e estrutura se articulem sem se estabilizar por completo. Interessa-me abrir campos de fricção nos quais vulnerabilidade, persistência, cuidado, conflito e imaginação crítica possam ganhar forma.