Minha prática curatorial começa na obra, mas não se encerra nela. Entendo a curadoria como o desenho de condições por meio das quais obras, artistas, espaços, instituições e públicos entram em relação. Em vez de tratar a exposição como recipiente neutro, penso-a como estrutura ativa, capaz de organizar percepção, acesso, visibilidade, circulação e sentido.
Interesso-me por processos curatoriais em que a obra não apareça isolada dos contextos que a atravessam — espaciais, sociais, políticos, econômicos e afetivos. Nesse sentido, curar não é apenas selecionar e dispor trabalhos, mas criar formas de encontro entre imagem e linguagem, obra e espectador, processo e apresentação, documentação e presença.
Meu trabalho curatorial tem se voltado cada vez mais para a América do Sul como campo situado de pesquisa, intercâmbio, circulação e projeção. Por meio da BraSA.Art, plataforma que fundei em 2019, desenvolvo exposições, residências, programas públicos e estruturas de pesquisa voltadas a práticas artísticas ligadas a trabalhos baseados em lentes, mídias digitais integradas, tecnologias, resíduos, ecologias e políticas da presença. Interessa-me especialmente como a prática curatorial pode contribuir para abrir circuitos de circulação para artistas sul-americanos, sem reduzir essa produção a enquadramentos geopolíticos genéricos ou categorias fixas.
A mediação, a documentação e a pedagogia pública também são partes constitutivas do meu pensamento curatorial. Não as compreendo como camadas acrescentadas depois que a exposição está pronta, mas como elementos que devem participar de sua estrutura desde o início. Interesso-me por exposições que ativem atenção, produzam fricção, reorganizem relações no espaço e convidem a formas de reflexão, participação e presença compartilhada.
Mais recentemente, em projetos desenvolvidos em diálogo com a SOMA – People & Culture, em Curitiba, minha prática curatorial tem se expandido em direção a formatos que articulam ocupação, ateliê, exposição e programação pública. Nesses contextos, curar tornou-se também um modo de trabalhar com processo, infraestrutura, circulação e instituição como partes de um mesmo campo crítico.
Meu propósito não é estabilizar sentidos nem resolver contradições, mas fomentar situações em que as obras possam operar com densidade, tensão e abertura. Busco desenvolver contextos curatoriais em que arte, vida, estrutura e presença permaneçam em relação ativa.