Minha História Deixa Que Eu Conto — Ato III, 2026–
Further images
Minha História Deixa Que Eu Conto — Ato III desloca a obra do espelho e da estrutura espacial para a voz. Neste ato, Analize Nicolini desenvolve uma vídeo-performance baseada na leitura pública dos 37 Princípios de Yogyakarta, apresentada por meio de monitor vertical com superfície espelhada e áudio.
A obra inscreve a presença da artista em um campo jurídico e normativo que historicamente regulou corpos e identidades dissidentes. O que antes aparecia como enunciado espelhado e depois como arquitetura espacial torna-se agora enunciação pública.
A operação desloca a autoria do plano individual para o regime dos direitos. A voz não reivindica exceção; reivindica reconhecimento. A leitura transforma a linguagem normativa em presença concreta, testando como a linguagem jurídica e dos direitos humanos se altera quando é carregada por um corpo, uma voz e uma imagem.
Neste ato, narrar a própria história implica atravessar a lei. A obra não trata a lei como abstração, mas como campo de endereçamento, legibilidade, exposição e disputa. Voz, enquadramento, reflexão, filmagem, edição e leitura pública tornam-se parte de uma mesma operação.
No corpo mais amplo de Minha História Deixa Que Eu Conto, o Ato III marca a passagem da autorrepresentação para o endereçamento público. A autoria deixa de ser apenas uma reivindicação diante da imagem refletida ou uma reorganização espacial do campo expositivo; torna-se ato corporificado de fala sob direito.
Exposições
Insistir em Existir: Protocolos de um Ateliê Público, exposição individual, texto crítico de Kamilla Nunes, SOMA – People & Culture, Curitiba, Brasil, 2026.