Performance documentation of In the Wounds I Reach, Praça Marechal Alberto Ferreira de Abreu, Curitiba, Brazil, July 27, 2022.
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Performance documentation of In the Wounds I Reach, Praça Marechal Alberto Ferreira de Abreu, Curitiba, Brazil, July 27, 2022.
Performance documentation of In the Wounds I Reach, Praça Marechal Alberto Ferreira de Abreu, Curitiba, Brazil, July 27, 2022.
Exhibition view of In the Wounds I Reach in We Can Only Be Happy, SOMA – People & Culture, Curitiba, Brazil, September 16 – November 1, 2022. Photo: Kraw Penas.
Nas Feridas Que Eu Alcanço, 2022
Indumentária em poliamida biodegradável; dez fotografias de foto-performance impressas em pigmento mineral sobre papel de algodão 100%; vídeo monocanal em cor.
Realizada pela primeira vez em espaço público na Praça Marechal Alberto Ferreira de Abreu, Curitiba, Brasil, em 27 de julho de 2022.
Fotografias: 11,5 × 19,5 cm cada.
Vídeo: 3’57’’.
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A ferida expõe a vulnerabilidade do corpo. Ela marca o ponto em que a matéria viva se rompe, revelando simultaneamente fragilidade e potência: a capacidade de sofrer o impacto do mundo e de iniciar processos de reparação. Nesse sentido, a ferida é trauma, mas também passagem — uma inscrição do tempo e da experiência na superfície do corpo.
Nas Feridas Que Eu Alcanço foi concebida durante o retorno da artista ao Brasil após uma residência artística em Veneza e estudos em Humanidades Ambientais na Ca’ Foscari. O deslocamento entre contextos culturais e afetivos — marcado pela experiência do estrangeiro, por fricções geracionais e metodológicas e pela sensação de ruptura de continuidade — constitui o pano de fundo da obra.
Nesse momento, Analize Nicolini confronta a necessidade de reorganizar sua própria existência e reafirmar sua posição no campo da arte. O trabalho integra uma investigação mais ampla na qual corpo, espaço público e relações entre indivíduos, espécies e sistemas sociais operam como dispositivos para refletir sobre vulnerabilidade, cuidado e responsabilidade coletiva.
Na ação performativa, a artista apresenta-se como um ser vivo não identificado — uma figura que pode representar simultaneamente humano, animal ou entidade simbólica. Vestindo uma indumentária vermelha composta por catsuit, facekini (máscara facial) e capa, confeccionada em poliamida biodegradável, seu corpo é transformado em um organismo ampliado. O traje cobre integralmente o corpo, deixando visíveis apenas orifícios e feridas.
A superfície vermelha remete ao sangue e à pele, enquanto os orifícios indicam zonas fundamentais de comunicação entre interior e exterior — respiração, ingestão, excreção e expressão — compartilhadas por praticamente todos os seres vivos.
As feridas indicam rupturas. Elas remetem tanto a traumas individuais quanto coletivos — marcas que atravessam indivíduos, espécies e ecossistemas. O corpo apresentado torna-se, assim, um território simbólico onde se cruzam experiências pessoais, histórias sociais e processos planetários.
A ação central da performance consiste em um gesto simples e primitivo: lamber as próprias feridas em praça pública, como um cachorro. Observado em diversos animais como forma de aliviar a dor e estimular a cicatrização, esse gesto é apropriado pela artista como imagem simbólica de cuidado, regeneração e autoescuta, ao mesmo tempo em que expõe a vulnerabilidade do corpo diante do olhar coletivo.
A performance foi realizada pela primeira vez em espaço público na Praça Marechal Alberto Ferreira de Abreu, em frente ao Hospital Geral de Curitiba — instituição administrada pelo Exército Brasileiro — em 27 de julho de 2022. A presença da artista vestida de vermelho interrompe momentaneamente a normalidade do espaço e introduz uma imagem inesperada no cotidiano, diretamente relacionada à experiência compartilhada da vulnerabilidade do corpo e da busca por cura.
Durante a ação, a artista repete em voz alta a frase “No final, todos nos lamberemos.” O enunciado introduz uma dimensão coletiva no gesto aparentemente individual da performance, sugerindo que existem feridas que não podemos alcançar sozinhos e que certas formas de cura exigem práticas compartilhadas de cuidado.
Nesse sentido, o trabalho opera simultaneamente como alerta e convite: alerta para a fragilidade que atravessa todos os corpos vivos e convite para uma ética de cuidado consigo, com o outro e com o mundo.
No interior dessa operação permanece uma pergunta que atravessa a pesquisa da artista: pode a arte transformar comportamentos?
Nas Feridas Que Eu Alcanço não oferece uma resposta conclusiva, mas cria uma imagem capaz de interromper momentaneamente a rotina e abrir um espaço de reflexão no qual essa pergunta continua a reverberar.
Exposições
Insistir em Existir: Protocolos de um Ateliê Público
SOMA – People & Culture, Curitiba, Brasil
15 de fevereiro – 10 de maio de 2026
Nos Resta Ser Feliz
SOMA – People & Culture, Curitiba, Brasil
16 de setembro – 1º de novembro de 2022
Daqui de Onde Estou
We Exhibit, Veneza, Itália
29 de agosto – 16 de outubro de 2022