Minha História Deixa Que Eu Conto — Ato IV, 2026
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Minha História Deixa Que Eu Conto — Ato IV retorna a obra ao corpo como volume, superfície e inscrição. Neste ato, Analize Nicolini apresenta um molde escultórico de seu próprio corpo recoberto com lambe-lambe composto por imagens sobrepostas: dinheiro, classificação fenotípica e genética, alfabeto, números e referência visual ao braile.
A obra dá continuidade a uma pesquisa que já atravessou espelho, arquitetura e voz. No Ato I, afirmava a autoria da própria narrativa diante da imagem refletida. No Ato II, reorganizava o espaço expositivo a partir da pluralidade corporal. No Ato III, inscrevia essa disputa no campo jurídico e normativo por meio da leitura pública dos Princípios de Yogyakarta. No Ato IV, a disputa retorna ao corpo como campo material.
Recoberto por sistemas de valor, classificação e linguagem, o corpo escultórico torna-se superfície de inscrição de diferentes regimes de legibilidade. Dinheiro, classificação genética e fenotípica, alfabeto, números e braile operam como sistemas que leem, classificam, nomeiam, codificam e regulam a existência.
A obra radicaliza uma das operações centrais de Minha História Deixa Que Eu Conto: a disputa entre narrar-se e ser narrada. O que antes se formulava como frase, espaço e voz retorna agora como matéria atravessada por regimes de visibilidade, legibilidade e controle. O corpo torna-se campo de sobreinscrição.
A escultura não oferece transparência e não reduz o corpo à evidência. Ela afirma opacidade, complexidade e soberania narrativa. O corpo não é apresentado como identidade estável nem como objeto a ser decifrado, mas como superfície disputada onde acesso, valor, classificação, visibilidade e autoenunciação colidem.
No corpo mais amplo de Minha História Deixa Que Eu Conto, o Ato IV transforma a autorrepresentação em disputa material. O corpo não ilustra a obra; torna-se o terreno onde se inscreve a luta por autoria, permanência e existência.
Exposições
Insisting on Existing: Protocols of a Public Studio, solo exhibition, critical text by Kamilla Nunes, SOMA – People & Culture, Curitiba, Brazil, 2026.