Um ano sob as luzes e sobre as cores do Leblon
por dentro, pura ausência
sem luz, sem cor
onde estou?
olho, respiro
quanta beleza!
troco por canvas
o que vou fazer?
o que posso fazer?
quanto tempo tenho?
Durante 365 dias fotografei o crepúsculo na praia do Leblon, no Rio de Janeiro. Sempre o mesmo equipamento, sempre calibragem manual — para que a variação de cor fosse a do céu, e não a da câmera. Reuni mais de quatro mil imagens.
Cada obra é titulada pela coordenada geográfica do ponto onde a fotografia foi feita, seguida da data e da hora exata. 22°59'15.09" S 43°13'13.379" W 02/01 18:33:34 não é um código: é o lugar e o instante, escritos por extenso. O crepúsculo dura poucos minutos e não se repete. O título é o que impede que ele vire paisagem genérica.
A série se organiza em nove núcleos — Intimidades, Composições, Águas, Barcos, Céu, Areias, Gradiente, Dois Irmãos e Horizontes —, cada um seguindo uma insistência diferente dentro do mesmo ciclo.
Em 28 de maio de 2019, vinte e uma dessas fotografias voltaram à praia em grande formato, seguradas por educadores ao longo do calçadão entre a Borges de Medeiros e a Rita Ludolf, na hora do pôr do sol. Quem passava via a imagem e o céu ao mesmo tempo. Um livro com cerca de 120 fotografias foi lançado em 26 de julho de 2019, no centenário do bairro.
Sobre esta série, a crítica de arte Valesca Veiga escreveu Till the Lights Go Out.