Analize Nicolini, Insisting on Existing (Insistir em Existir), 2026. Installation view from Insisting on Existing: Protocols of a Public Studio, SOMA – People & Culture, Curitiba, Brazil, 2026. Installation with a modular cement column, smaller cement artifacts with embedded gloves, a punching bag and a suspended tatami mat. Variable dimensions. Photo: courtesy of the artist.
Insistir em Existir, 2026
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Insistir em Existir, 2026, é uma instalação experimental de Analize Nicolini composta por uma coluna modular de cimento, um saco de pancada colocado no chão, um tatame suspenso e pequenos artefatos de cimento com luvas encaixadas.
A obra foi apresentada na SOMA Galeria, em Curitiba, na exposição Insistir em Existir: Protocolos de um Ateliê Público, com texto de parede de Kamilla Nunes. Seu título contribuiu para nomear a exposição, estabelecendo uma relação entre a luta organizada espacialmente pela instalação e as condições de trabalho, produção e permanência tornadas públicas no ateliê.
A instalação inverte a organização habitual de um espaço de luta. A coluna de cimento assume a posição da estrutura contra a qual o confronto se dirige. Seu peso, sua repetição modular e sua verticalidade articulam suporte e obstáculo. O saco de pancada, retirado da suspensão, permanece no chão como sombra dessa estrutura. O tatame, que deveria constituir a base e amortecer a queda, é elevado e transformado em cobertura. Esses deslocamentos alteram as relações entre impacto, proteção e sustentação.
Nos artefatos menores, o cimento reaparece em outra escala, associado às luvas. A matéria da estrutura passa a constituir também o vestígio do confronto. As luvas indicam um corpo e um esforço; o cimento lhes acrescenta peso, fixação e resistência. A estrutura continua erguida, enquanto sua matéria reaparece junto aos instrumentos da luta.
No contexto de Protocolos de um Ateliê Público, a artista manteve a instalação aberta às possibilidades surgidas durante a produção, a montagem e os encontros. Entre elas está a incorporação de luvas utilizadas em outras profissões. A sugestão veio do trabalhador que entregou as peças de cimento e estava usando luvas durante a entrega. Sua observação passou a integrar o desenvolvimento da obra, ampliando as relações entre corpo, trabalho, proteção, risco e estrutura.
Esse acontecimento participa da história da instalação. O transporte das peças, o trabalho necessário para sua movimentação, a conversa e as decisões de montagem entram no campo de reflexão da obra. A abertura a outras luvas permanece como possibilidade de desdobramento, conectando o espaço da luta a diferentes situações de trabalho e às formas pelas quais o corpo é protegido, exposto e colocado em função.
O corpo é sugerido pelos objetos e por suas posições deslocadas. O saco no chão introduz uma temporalidade de impacto acumulado, desgaste e repetição. O tatame suspenso desloca as condições de apoio e proteção. As luvas associadas ao cimento tornam visível a relação entre esforço e permanência. Na leitura de Kamilla Nunes, a obra se aproxima da ideia de “continuar depois da queda”.
Insistir em Existir dá forma à persistência diante de estruturas que permanecem. A luta pode deixar marcas e vestígios, mesmo quando a estrutura continua de pé. Desenvolvida em um contexto que reuniu criação, exposição, circulação, venda e debate, a instalação articula essa persistência às condições materiais e institucionais de produzir, apresentar e sustentar uma prática artística.
As Notas Conceituais Consolidadas, apresentadas na parede da exposição, reúnem os eixos de reflexão da obra e registram uma etapa de sua pesquisa. O documento está disponível em português e inglês abaixo e na página da exposição. A instalação e suas possibilidades de desenvolvimento permanecem abertas.
Notas Conceituais Consolidadas — PDFs
Exposições
Apresentada em Insistir em Existir: Protocolos de um Ateliê Público, exposição individual de Analize Nicolini, com texto de parede de Kamilla Nunes, SOMA – People & Culture, Curitiba, Brasil, 2026.